Queridos,

Depois de um longo período sem escrever, eis-me aqui novamente escrevendo algumas coisinhas que Deus coloca em meu coração através de leituras, pregações e tudo mais. Hoje escrevo sobre de fato quem realmente somos nós(?). Cansado de ouvir as mesmas historinhas tanto de cientistas, quanto, de humanistas percebi que não precisamos seguir nem um pessimismo obscuro e nem um fácil otimismo a respeito da essência do ser humano, mas sim temos a necessidade do realismo radical da Bíblia, que nos coloca no lugar que devemos estar e nos mostra realmente quem somos. As Escrituras perseveram o paradoxo da glória e da vergonha de nossa humanidade. E por isso escreverei um pouco sobre esse paradoxo.

A Glória de ser humano:

Gênesis 1: 26-27

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais da terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

Segundo a narrativa bíblica a imagem divina é claramente aquela que diferencia os seres humanos dos animais, ou seja, o conjunto de qualidades humanas distintas que são cinco:

– Capacidade de pensamento racional: essa capacidade nos possibilita fazer o que estamos fazendo agora, nos colocarmos na posição de avaliadores de nós mesmos, somos capazes pensar, raciocinar, argumentar e debater. Somos conscientes de nós mesmos.

– Capacidade de escolha moral: temos a consciência para discernir entre o bem e o mal, assim como o grau de liberdade para escolher entre eles. Temos ciência de uma ordem moral que está acima de nós, à qual sabemos que prestamos conta e por isso temos o anseio de fazermos o que acreditamos o que é certo e uma profunda culpa quando fazemos o que sabemos que está errado.

– Capacidade de criatividade artística: Quando Deus nos fez à Sua imagem e semelhança, Ele nos fez seres criativos como Ele por isso que somos imaginativos e inovadores, gostamos de tudo aqui que é belo aos olhos, ao ouvido e ao toque.

– Capacidade de nos relacionarmos socialmente: toda a criação foi feita com seus respectivos pares, se reproduzem e criam seus filhotes. Alguns andam em bandos ou rebanhos, outros são como alguns insetos constroem uma estrutura social complexa. Mas os homens e mulheres anseiam por autênticos relacionamentos de amor. O amor é a maior das coisas desse mundo, viver é amar, e sem amor a personalidade humana se desintegra e morre, pois somos a imagem e semelhança de Deus e Ele é o próprio amor, se não amamos negamos a nossa própria essência. E por isso temos a capacidade de amarmos e sermos amados.

– Capacidade de adoração humilde: sabemos que a satisfação espiritual do ser humano transcende a realidade material e as pessoas buscam isso em toda parte. Como Jesus mesmo disse, o homem não viverá só de pão, quando citou o Antigo testamento (Mt 4:4; Dt 8:3), ou como Dostoyévski escreveu, “o homem deve prostrar-se diante do Infinitamente Grande”. SOMOS MAIS VERDADEIROS EM NOSSA HUMANINDADE QUANDO ESTAMOS ADORANDO A DEUS!

Bom, aqui estão os cinco aspectos que nos fazem ser imagem de Deus, como eu queria parar por aqui e seguirmos os nossos dias radiantes e felizes com a nossa auto-estima lá nas alturas. Mas infelizmente há outro lado de nossa humanidade, mais obscuro, que eu particularmente queria poder esquecer, o que faz dos nossos melhores momentos muitas vezes vergonhosos.

A Vergonha de ser humano:

Jesus fala sobre essa vergonha de forma expressiva:

Marcos 7: 21-23

“Porque do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos os males vêm de dentro e tornam o homem “impuro”.”

Realmente Jesus não ensinou a bondade da natureza humana, ele insistiu na nossa capacidade interior para o mal. E Jesus não falava de uma parte criminosa da sociedade, Ele falava daquelas pessoas religiosas e piedosas chamadas fariseus. Fazendo assim uma declaração genérica e universal a respeito de toda a raça humana.

Observamos também que Jesus apresenta uma lista de treze “maldades” e quando reparamos bem nelas, vemos que todas são frutos da autocentralidade humana. São obras, pensamentos, palavras dos quais nos tornamos culpados quando fracassamos em colocar o “deus eu” em primeiro lugar (ministério do umbigo: bendito seja eu, adorado seja eu, satisfeita seja a minha vontade etc).

E a origem de toda essa maldade é o coração humano, os fariseus com quem Jesus debatia tinham uma visão externa e cerimonial da pureza e corrupção como comer determinados alimentos e outras práticas. E por isso Jesus diz que o que nos corrompe não é o vai pra dentro de nós (para o nosso estômago), mas sim o que sai de nós (do nosso coração). O nosso coração impuro para Jesus era como um vaso de barro grosso que não se vê o fundo mas se sabe que está meio cheio de água, e quando se agita essa água a sujeira vem a tona e junto com ela os horríveis cheiros das maldades que o nosso coração é capaz de cultivar.

E por fim devemos citar que o resultado do mal é o que nos degenera, ou seja o que nos torna impuros e incapacitados para a presença manifesta de forma total da glória de Deus.

Por fim, com todas essas coisas chegamos a conclusão que o ser humano é produto tanto da criação como da queda, e por isso é necessário que reconheçamos que Cristo morreu para nos purificar, e pela obra interna de Seu Espírito Santo, Ele pode nos tornar novos!